Meu caro, Giordano Bruno foi um dos maiores pensadores de toda a nossa cultura. Filósofo, teólogo, cientista, matemático e astrônomo, ele escreveu vários livros, até hoje atuais. Foi corajoso, enfrentou descaradamente a Igreja Católica, ganhou notoriedade Europa afora, mas acabou preso pela Inquisição. Condenado, morreu queimado vivo em Roma. Até hoje, a Igreja Católica não reviu seu processo, o qual, parecido como aquele movido contra Galileo Galilei, terminou em mais um dos crimes célebres da rica e tenebrosa coleção da Igreja.
A história rendeu uma peça maravilhosa, de autoria de Mario Moretti, que estreou no Sesc Vila Mariana, em São Paulo, com direção de Rubens Rusch, e com Celso Frateschi no papel principal. A montagem é linda, um palco simples, somente um tablado, e todos vestem preto, menos Giordano Bruno, o réu, que veste branco. Lindo!
Frateschi domina a cena. No palco, parece até maior do que já é. Os diálogos são um show de dialética – no qual os inquisidores saem destruídos. Arrancam curiosos risos da plateia. Isso me chamou a atenção, pois a cena mostra um drama, que todos sabem que vai acabar em morte cruel. Mesmo assim, a fragilidade dos argumentos dos inquisidores é tão patética que fica difícil não rir.
Interessante é ver como, ainda hoje, cinco séculos depois, os temas tratados são pertinentes. Fundamentalmente, temos a necessidade brutal da Igreja em calar aquele que a contradiz. É a doutrina de Ratzinger, que ainda faz vítimas, Leonardo Boff que o diga. Nada mais perigoso do que as propostas de perdão amoroso, falsas até a medula. Antes uma raiva sincera que o amor falso. A Ratzinger o que é de Ratzinger e, aos cristãos a cristandade. Giordano Bruno foi muito mais avançado que nosso Papa. É ver para crer.















