16 de maio de 2012

Giordano Bruno

Um gênio - que se tornou mártir!

Meu caro, Giordano Bruno foi um dos maiores pensadores de toda a nossa cultura. Filósofo, teólogo, cientista, matemático e astrônomo, ele escreveu vários livros, até hoje atuais. Foi corajoso, enfrentou descaradamente a Igreja Católica, ganhou notoriedade Europa afora, mas acabou preso pela Inquisição. Condenado, morreu queimado vivo em Roma. Até hoje, a Igreja Católica não reviu seu processo, o qual, parecido como aquele movido contra Galileo Galilei, terminou em mais um dos crimes célebres da rica e tenebrosa coleção da Igreja.

A história rendeu uma peça maravilhosa, de autoria de Mario Moretti, que estreou no Sesc Vila Mariana, em São Paulo, com direção de Rubens Rusch, e com Celso Frateschi no papel principal. A montagem é linda, um palco simples, somente um tablado, e todos vestem preto, menos Giordano Bruno, o réu, que veste branco. Lindo!

Frateschi domina a cena. No palco, parece até maior do que já é. Os diálogos são um show de dialética – no qual os inquisidores saem destruídos. Arrancam curiosos risos da plateia. Isso me chamou a atenção, pois a cena mostra um drama, que todos sabem que vai acabar em morte cruel. Mesmo assim, a fragilidade dos argumentos dos inquisidores é tão patética que fica difícil não rir.

Interessante é ver como, ainda hoje, cinco séculos depois, os temas tratados são pertinentes. Fundamentalmente, temos a necessidade brutal da Igreja em calar aquele que a contradiz. É a doutrina de Ratzinger, que ainda faz vítimas, Leonardo Boff que o diga. Nada mais perigoso do que as propostas de perdão amoroso, falsas até a medula. Antes uma raiva sincera que o amor falso. A Ratzinger o que é de Ratzinger e, aos cristãos a cristandade. Giordano Bruno foi muito mais avançado que nosso Papa. É ver para crer.

As cores dizem tudo

Ele merece a auréola.

Meu caro, estamos vivendo um momento histórico! Obama declarou-se favorável ao casamento gay, sendo finalmente coerente com posições que defendeu historicamente. Rapidamente, seu provável adversário republicano, Mitt Romney, deixou clara sua posição contrária ao mesmo tema, polarizando a questão. Assim como o aborto foi um tema divisor de águas, desta vez seremos nós!

Em sua primeira campanha, o discurso do presidente nos era favorável, a ponto de sermos inseridos na pauta de direitos civis, elencados no site da Casa Branca. Só que, além de sancionar a lei Bird-Sheppard,  de autoria e mérito do falecido Ted Kennedy, Obama só nos concedeu um batalha, a derrubada da famigerada Don’t Ask, Don’t Tell. No mais, preferiu fugir dos conflitos sobre o tema, jugando ao favor dos ventos no Congresso.

Pesquisas recentes mostram que a população americana vêm, cada vez mais, apoiando o casamento de homossexuais. A curva de aprovação é ascendente, e já deve ter cruzado com a curva descendente dos que rejeitam a ideia. Obama não da ponto sem nó.

A revista Newsweek desta semana estampou Obama na primeira página, com uma auréola com as cores do arco-íris sobre a cabeça, e chamando-o de “presidente gay”. A revista, do grupo Washington Post, propriedade da família Graham,  sempre foi um baluarte dos democratas. Phil e Katharine Graham eram íntimos de John Kennedy, e de vários outros democratas de primeira linha.

O jornalista que assina a matéria é homossexual assumido, e, pelo visto, joga Obama nas alturas, afirmando até que sua declaração em nosso favor não é política, mas apenas racional, um resgate da coerência.  Lógico que a declaração do presidente, a seis meses da eleição, é absolutamente política. Tudo nos promete uma campanha emocionante, na qual teremos o espaço que merecemos. Isso sim é história.

11 de maio de 2012

Omar Jr. Grande homem!

Homem corajoso!

Meu caro, confesso que nunca tinha ouvido falar em Omar Sharif Jr., neto do grande ator egípcio que marcou época como Dr. jivago, e mesmo em Lawrence das Arábias. Pois caí para tras hoje, ao ler o depoimento que ele deu para a revista gay norte-americana, Advocate, em março passado – eu nem tinha lido. Omar jr. declarou-se gay, e meio judeu. Não preciso contar a vocês o caos civil em que o Egito mergulhou depois da derrubada de Hosni Mubarak.

Não que o ditador que caiu fosse boa coisa. Era um ditador. A chamada Primavera Árabe foi fatal para ele. O movimento começou lindo, com o povo protestando na Praça Tahrir, no centro do Cairo. Pois derrubaram o governo, que foi tomado por uma junta militar ainda pior que o ditador, e caminha para estabelecer um governo fundamentalista islâmico. Pobre nação, saiu de um demônio, para cair nas mãos de vários deles.

Omar Jr. fugiu para os Estados Unidos, pois sabia que seria impossível – ou extremanete arriscado – sair do armário no Egito. Ele conta que sequer andar sem camisa na rua era permitido. Pelo visto, sua própria família não sabia de sua orientação sexual, e ele sabe que jogou uma bomba daquelas em cima deles. A imagem dele, sem camisa, coberto pela bandeira egípcia, é linda, e diz muito.

Segundo ele, sua atitude visa lutar por um Estado laico, e mais seguro, que acolha os cidadãos gays, e mesmo aqueles que, como ele, também são judeus, ou cristãos coptas, que têm sido ameaçados e perseguidos no Egito pós-revolução. A sociedade egípcia, a despeito da ditadura, era sofisticada, havia espaço para diferentes religiões. Isso acabou. Espaço para gays chega a ser delírio. Bem fez ele que fugiu. E seu depoimento foi um belo alerta. Belo gesto!

Allons Président de la Patrie!!

Meu caro, estou acompanhando com grande esperança os avanços que conquistamos na França e nos Estados Unidos. O novo presidente eleito da França, o socialista François Hollande, posicionou-se claramente a favor do casamento de homossexuais durante sua campanha. Ele teve uma bela vitória sobre o conservador (e sempre perigoso) Nicolas Sarkozy, que cortejou a direita, e disse que jamais aprovaria nosso direito ao casamento. Hollande disse o contrário, e ganhou!

Eu sei que longa discussão nos separa de obter uma conquista definitiva na França, de eleitorado complexo, e poderosas forças direitistas. Mas, ao menos, manter nossos direitos em sua plataforma de campanha, ajudou-o  a vencer. A Vizinha Espanha, dominada por fortes correntes religiosas, já nos concedeu o casamento, acho que a França não demorará a seguir o mesmo caminho.

Já nos Estados Unidos, Obama mantém sua postura puzilânime, e ainda se diz contra o casamento, mas afirma, idiotamente, que “sua opinião sobre o assunto está evoluindo”. Ele bajulou descaradamente o eleitorado gay em sua primeira eleição, prometeu mundos e fundos, inseriu nossos direitos na pauta dos direitos civis descritos no site da casa branca,  ajudou a derrubar a infame Don’t Ask, Don’t Tell, que vetava os gays nas suas Forças Armadas, e promulgou a Lei Bird-Shepard. Já nosso direito ao casamento, ele abandonou o discurso de antes. Com medo de perder o eleitorado conservador, bajulou os Republicanos no Congresso, e vendeu-nos como Judas.

Enquanto a Carolina do Norte baniu nossos direitos há poucos dias, alterando sua Constituição Estadual para tanto, sete outros Estados já nos concedem este direito elementar. Obama não é bobo, mandou sua claque para o campo de batalha, e seu próprio Vice-presidente, Joe Biden, político mais corajoso, e seu Secretário de Educação, Arne Duncan, saíram em nossa defesa.É uma empreitada corajosa. Nas últimas pesquisas, Obama abriu sete pontos de vantagem sobre o perigoso Republicano Mitt Romney. Entre o pensador e o fundamentalista, acendo velas para Obama.

EM TEMPO: Exatamente na tarde de hoje, Obama tomou coragem, e declarou-se a favor do casamento dos homossexuais – finalmente! Antes tarde do que nunca. É uma conquista para todos nós, ele é uma referência excelente. Quem sabe Dilma não o imita?

Dupla dinâmica - um pensa, o outro chuta para marcar...

8 de maio de 2012

Equus – imperdível

Meu caro, Peter Shaffer é um mestre. Depois de seu Amadeus, a humanidade acredita que Salieri matou Mozart, e caso encerrado, não existe mais salvação. A peça e o filme entraram no DNA cultural de todos. Mas, por bárbaro que seja, ainda acho que Equus é seu texto mais brilhante. O caso horripilante do menino inglês que cegou vários cavalos é chocante, e rende um belíssimo texto.

Reza a lenda que Richard Burton teria culpado o personagem pelo infarto que sofreu quando vivia o psiquiatra, em Londres. Verdade ou não, o papel é gigantesco, contraponto perfeito para o jovem Alan Strang, o paciente psicopata fascinado por cavalos. Nesta montagem, Elias Andreato vive o médico, e está correto no papel. É um ótimo ator.

Todo o elenco está muito bem, mas três deles me chamaram a atenção: a mãe, o menino atormentado, e o cavalo. A mãe, muito bem vivida por Patrícia Gaspar, arranca aplausos além túmulo de Sigmund Freud. Sem qualquer trejeito exagerado, nem um fio de cabelo fora do lugar, e um fel religioso capaz de envenenar serpentes.

Os personagens viram cavalos, em uma bela adaptação em cena, mas Gustavo Malheiros faz apenas um deles, o tempo todo. Imenso de forte, chega ao requinte de balançar uma crina que não tem, e bate cascos com força. A cena em que interage com o jovem Alan, que voa do chão para suas costas, é das mais lindamente sensuais que já vi no teatro. Puro requinte, erótica, sem cair um milímetro na vulgaridade. É um momento inesquecível.

E temos Leonardo. Miggiorin. Mineiro maravilhoso, que espalha angústia com seu olhar, parece pedir por  um Rivotril, ou um uísque duplo. Seus olhos hipnotizam. Suas cenas de nudez são muito bem colocadas, não são grauitas. Mesmo nú, seu rosto sobressai. Acabei por encontrá-lo na saída do camarim, absolutamente gentil, mas travei, e não consegui pedir uma micro entrevista sequer. Quem sabe vendo novamente a peça? Afinal, é imperdível, recomendo a todos. l

7 de maio de 2012

Virada Cultural

Meu caro, a Virada Cultural acabou sendo uma grande roubada. Foi triste. Uma multidão tomou todos os eventos. Até aí tudo certo, a idéia é atrair muita gente. Mas faltou organização, sobraram filas e, infelizmente, violência em vários pontos da cidade. Já temendo por isso, formamos um grupo de 4, eu e amigos, um deles, fotógrafo, carregava um equipamento valioso.

A confusão na galinhada de Alex Atala era bola cantada, nós nem arriscamos ir, e não me surpreendeu a notícia da confusão, que levou o próprio chef a deixar o local sob vaias. Quantos milhares de pessoas na cidade não quereriam provar a maravilhosa cozinha do D.O.M., de graça? Todos os guias do evento noticiaram esta oportunidade, era óbvio que milhares de pessoas iriam. Inacreditável foi ver que não havia organização capaz de receber toda aquela gente.

Mas o público também se portou péssimamente. Minhares de pessoas bebendo para se embreagar, tomando litros do perigoso vinho falso, ou cachaça mesmo. Do gargalo das garrafas partiam para causar confusão, brigas, e muitos desabavam.

Na praça da República, vi dois policiais da Guarda Civil Metropolitana cuidando de quatro jovens apagados,  deitados no canteiro, imagino que em coma alcoólica. Indagamos se eles chamaram socorro médico, e só ouvi, inacreditávelmente, que “não havia tantas ambulâncias assim”. Não sei como acabou a história.

O clima não era festivo, era pesados. Encontramos duas meninas, ainda meio adolescentes, que acabavam de ser assaltadas. Em prantos, nos pediram ajuda. Passava pouco da meia noite, e já tínhamos visto demais. Melhor era mesmo voltar para casa. Demos carona às duas, de taxi. Uma pena. Será que a do ano que vem será melhor?

4 de maio de 2012

Assaz Assad

Ela é inteligente. Mas perigosa.

Meu caro, por essa eu já esperava – e não escondi que torcia. O MInistério Público pediu a instauração de inquérito contra a advogada Ana Lúcia Assad, que defendeu Lindemberg Alves, em Santo André, há 3 meses. Durante o julgamento, a advogada criou um circo em torno de si mesma, jogando descaradamente para a mídia. Entre seus atos, ofendeu a própria juíza, a quem alegou que deveria “voltar a estudar”.

Lógico que a população, em um caso que a mídia aproveitou até o último minuto, estava contra ela. Imolar-se em um confronto com populares, sempre com ares de vítima, foi uma das táticas da advogada, que, dativa, buscou aproveitar muito mais do que 15 minutos de fama. Até de colete à prova de balas desfilou. Foi, no mínimo, ridículo.

A questão é que a moça, em sua descarada coreografia, desrespeitou quem jamais poderia ser desrespeitada: uma magistrada discreta e elegante, que tinha sim alsoluta noção de seu papel no julgamento. Quem defende Assad é a Ordem dos Advogados do Brasil. Não  por  ter adorado a advogada em seus exageros, mas por ser este seu dever de ofício, vale dizer obrigação. A OAB sempre defende seus membros em situações como esta, assim determina seu estatuto.

Só que, do outro lado, com a advogada entalada na garganta, estão nada menos que o Tribunal de Justiça de São Paulo, que também defende seus membros com unhas e dentes, e o próprio Ministério Público Estadual, que não morre de amores pela Advogada. A OAB ingressou com Habeas Corpus tentando o trancamento do inquérito, mas a liminar antecipando os efeitos deste foi negada pelo Colégio Recursal do Fórum de Santo André. O mérito será julgado em breve, mas com parcas chances. A briga será feroz – e necessária.

3 de maio de 2012

Michel Teló

Não é Elvis, mas está chegando perto.

Meu caro, vou me guiar apenas pelos números do YouTube, fonte das mais fidedignas. Por inacreditável que seja, o vídeo oficial da baladinha Ai Se Eu Te Pego, cantada pelo sertanejo Michel Teló, é acessada mais de  um milhão de vezes por dia. Aliás, somava, há poucos minutos, cerca de 308.840.526 acessos, só nesta música. É mais de uma vez e meia a população do Brasil inteiro. Se somarmos todas as vezes que é tocada mundo afora, e ele já ganhou vários discos de platina Europa afora, acho que pode dobrar.

Quando Susan Boyle arrasou no programa Britains Got Talent 2009, naquele que se tornou o maior sucesso POP da história da velha Albion, somou, em 3 anos, cerce de 60 milhões de acessos no Youtube. É menos de 20% de Michel, que saiu do zero para mais de 4% de toda a humanidade em ainda menos tempo. Em uma semana, toda uma cidade de São Paulo acessa o Youtube só para ouvi-la.

A música é uma baladinha simples, bem inocente, divertida. A polêmica sobre a autoria e o bloqueio das conta do cantor, por obra e força de um juíz da Paraíba, parece ter sido superada, pelo menos não ouvi mais falar no assunto. Michel nunca reivindicou a autoria, é mero intérprete, o que denota erro grosseiro e eventual desvio de intenção por meio daquela ação judicial.

Não se trata de gostar ou não da música, é obrigatório reconhecer que é um fenômeno global, e dos mais inacreditáveis. Recentemente, nos Estados Unidos, onde cantou na entrega do Billboard Latin Music Awards, declarou que lhe faz falta falar inglês. De fato, deve ser torturante para ele, que, por sinal, não é bonito, mas fofo, e está solteiro!

30 de abril de 2012

Marylin maravilhosa.

Imperdível...

Meu caro, Sete Dias com Marylin é um filmão! Ótimos atores, roteiro delicioso, direção de arte impecável. Não se pode perder. Trata-se da história da filmagem de O Príncipe Encantado, no qual ela contracenou com Laurence Olivier, então considerado o maior ator da época. Marylin literalmente parava o trânsito. Seus rebolados e biquinhos de menina levavam os homens à loucura. Clark Gable disse que ela fazia os homens terem orgulho de serem homens. Era verdade. Olivier foi aquele que, comprovadamente, beijou Marlon Brando na piscina de sua casa. Sua mulher, Vivian Leigh, os flagrou, e não pediu o divórcio, mas sim um pedaço, e ganhou. Os biógrafos de todos confirmam.

Como se saberia apenas depois, um dos maiores símbolos sexuais do século tinha uma outra face, fragilíssima, insegura, que a jogou em alguns casamentos infelizes. Como ela lindamente confessa no filme, os homens se casavam com Marylin Monroe, e, depois, ao descobrirem a mulher de verdade que ela era, a abandonavam. Somente quantidades inacreditáveis de pílulas para dormir e acordar é que a mantiveram vivendo, até o trágico final.

Kenneth Branagh, que faz o papel de Olivier, conseguiu não se repetir nas mesmas caras e bocas de sempre. Ele está bárbaro. Michelle Williams vive a musa, e arrasa. O lindo e magrinho Eddye Redmayne faz o papel de Colin Clark. A história e os personagens são reais. Dame Judi Dench brilha como coadjuvante, não atropela ninguém. Uma verdadeira Dama.

Não vou contar a história, quero mesmo que você veja o filme. Paisagens lindas do interior da Inglaterra merecem tela grande, não fique esperando pelo DVD. Reconhecer os diversos coadjuvantes é parte da diversão. Eles sempre acompanham Brannagh em seus filmes. É o crème de la crème da escola Shakespeariana, como ele mesmo. Enfim, filme obrigatório, divirta-se

E quem resistiria?

27 de abril de 2012

Humanidade, por unanimidade.

A princesa Isabel foi honrada!

Meu caro, acho que demos mais alguns passos em favor da humanidade. O Supremo Tribunal Federal deu um show ontem, decidindo pela constitucionalidade das cotas raciais. Os votos dos ministros foram lindos. Tal como no julgamento da União Civil dos homossexuais, a casa decidiu por unanimidade,  valerá à pena ler o voto de cada ministro.

Vejam como as questões realmente humanitárias, como a Racial e a Homossexual, estão juntas. Ambas estão arraigadas no DNA de nossa sociedade, provocando piadas infames e imorais, que não podem ser jamais admitidas. Tolerância zero é o princípio. Se o racismo ainda é tão evidente, a ponto de merecer tal manifestação do Supremo, mesmo depois de mais de um século, imaginem a nossa, que começou há algumas décadas.

Antes não se falava de homossexualidade, senão de formas hipócritas. Os negros também enfrentam o racismo de formas bem hipócritas – e essas são as piores. É um veneno, contido, que se manifesta a qualquer momento, para denegrir, humilhar o outro, seja negro ou homossexual. É raro encontrar quem se confesse racista – homofóbicos são mais abertos – mas eles existem, e estão ao seu lado. Manifestam-se na piada e na crítica. Já ouvi, de gente bem formada, frases como: “Fez um serviço de preto!”. Não se pode suportar um comentários desses.

A justiça proporciona armas de defesa, e eficazes. A Lei Afonso Arinos dá abrigo aos negros há bastante tempo. Se é bem aplicada ou não, é questão a ser vista caso a caso. Nós, homossexuais, ainda não temos nossa proteção legal realmente eficaz. O legislativo conseguiu destruir o PL 122/06, que dava trato a ambas as questões. A bancada conservadora, cortejada pela presidente Dilma, bloqueará qualquer avanço em nossa direção. O mesmo não se dará (espero) com a questão racial. Não depois de mais esta aula de humanidade do nosso Supremo.

Categories